Especialista alerta que oscilações no preço do combustível evidenciam perdas operacionais que podem gerar impacto financeiro superior aos reajustes do mercado
A recente volatilidade do petróleo no mercado internacional e seus reflexos sobre o preço do diesel voltaram a colocar o combustível no centro das preocupações das empresas de transporte e logística. Em um setor em que o diesel pode representar uma parcela significativa dos custos operacionais, qualquer movimento de alta impacta diretamente as margens e a competitividade das operações.
Em média, o combustível responde por cerca de um terço dos custos das operações de transporte. Por isso, embora as oscilações de preço sejam inevitáveis, especialistas alertam que muitas empresas ainda deixam de observar um fator igualmente relevante para o resultado financeiro: as perdas operacionais relacionadas ao abastecimento. Falhas de controle, abastecimentos fora do padrão, inconsistências de registro e desperdícios muitas vezes passam despercebidos no dia a dia, mas podem representar impactos expressivos ao longo do tempo.
Segundo Nelson Margarido, diretor operacional da Korth, momentos de aumento nos custos costumam evidenciar problemas que já estavam presentes na operação. “Quando o diesel sobe, as empresas naturalmente voltam sua atenção para o preço do combustível. Mas esse também é um momento importante para avaliar se o consumo está compatível com a operação e se existem perdas que poderiam ser evitadas com mais controle e rastreabilidade”, afirma.
Nelson Margarido, diretor operacional da Korth, destaca que o controle e a rastreabilidade do abastecimento podem representar oportunidades de economia tão relevantes quanto a própria variação do preço do diesel.
O desafio é que boa parte dessas perdas não aparece de forma imediata nos indicadores financeiros. Em operações que ainda dependem de controles manuais ou processos pouco integrados, pequenas divergências entre o volume abastecido e o consumo esperado podem se acumular ao longo dos meses, dificultando a identificação das causas e a implementação de medidas corretivas.
Nesse contexto, cresce a adoção de tecnologias voltadas à gestão do abastecimento e ao monitoramento do consumo de combustível. A digitalização dos processos permite registrar e validar informações diretamente no momento do abastecimento, ampliando a confiabilidade dos dados e reduzindo a dependência de conferências realizadas posteriormente.
Para Margarido, o combustível deve ser tratado não apenas como uma despesa operacional, mas como um indicador estratégico de eficiência da frota. “O preço do diesel é uma variável que foge ao controle das empresas. Já a gestão do abastecimento é um processo que pode ser monitorado, analisado e aprimorado continuamente. Quanto maior a visibilidade sobre os dados da operação, maior a capacidade de identificar desperdícios e promover ganhos de eficiência”, explica.
Em um cenário marcado por custos elevados e margens cada vez mais pressionadas, a busca por eficiência operacional tende a ganhar ainda mais relevância. Para especialistas do setor, as empresas que conseguirem transformar informações de abastecimento em inteligência para a tomada de decisão estarão mais preparadas para enfrentar oscilações de mercado e sustentar ganhos de competitividade no longo prazo.
Texto: Mariana Rudek | Korth
Imagem: divulgação
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