Morte de funcionário no Sesc -SP  reacende alerta sobre saúde mental no trabalho e pressiona empresas a cumprir novas regras da NR-1

Caso ocorrido em unidade de São Paulo expõe denúncias de sobrecarga e assédio e reforça a urgência de programas estruturados de prevenção ao adoecimento mental nas organizações

 

A morte de um funcionário dentro do Sesc Pompeia, em São Paulo, no último fim de semana, desencadeou denúncias de sobrecarga e assédio moral no ambiente de trabalho e ampliou o debate sobre saúde mental nas empresas brasileiras. A mobilização de trabalhadores e relatos públicos sobre adoecimento emocional nas unidades da instituição ocorrem em um momento em que a legislação trabalhista passou a exigir das empresas a gestão formal de riscos psicossociais, como assédio, pressão excessiva por resultados e ambientes organizacionais tóxicos.

Desde maio de 2025, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, determinou que todas as empresas incluam riscos psicossociais em seus programas de saúde e segurança do trabalho. A mudança ampliou o escopo da proteção ao trabalhador e passou a exigir que organizações identifiquem, monitorem e atuem preventivamente em situações que possam gerar adoecimento mental.

Para Rodrigo Araújo, especialista em saúde ocupacional e CEO da Global Work, empresa brasileira especializada em saúde ocupacional, segurança do trabalho e programas de qualidade de vida corporativa, o episódio evidencia um problema estrutural que muitas empresas ainda negligenciam. Segundo ele, o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho é um dos principais fatores associados ao adoecimento psicológico nas organizações.

“A nova NR-1 deixa claro que riscos psicossociais precisam ser tratados com a mesma seriedade que riscos físicos. Ignorar assédio, sobrecarga ou ambientes de pressão constante pode gerar consequências graves para os trabalhadores e também para a empresa”, afirma.

O debate ocorre em um cenário de crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Dados do Ministério da Previdência mostram que os transtornos psicológicos já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Apenas em 2024, mais de 472 mil benefícios por incapacidade foram concedidos por esse motivo, o maior volume da última década.

Segundo Rodrigo Araújo, a legislação não se limita a criar uma obrigação formal. Ela exige que as empresas implementem processos permanentes de prevenção, monitoramento e gestão do ambiente organizacional.

“Não basta ter um documento ou um treinamento isolado. A gestão da saúde mental precisa ser contínua, com diagnóstico real do ambiente, canais de escuta e acompanhamento dos indicadores de risco”, diz.

Especialistas em saúde ocupacional apontam que o primeiro passo para adequação à NR-1 é o mapeamento dos riscos psicossociais presentes na empresa. Isso inclui identificar fatores como excesso de carga de trabalho, conflitos de liderança, metas incompatíveis com a estrutura disponível e ausência de políticas claras contra assédio.

Depois do diagnóstico, as organizações precisam estruturar programas de prevenção que envolvam treinamento de lideranças, criação de canais seguros de denúncia, monitoramento de indicadores de absenteísmo e suporte psicológico aos colaboradores.

Rodrigo Araújo afirma que muitas empresas ainda tratam saúde mental de forma reativa, apenas quando surgem afastamentos ou crises internas.

“O maior erro das organizações é agir somente quando o problema já explodiu. Programas de saúde mental precisam ser estruturados antes que o ambiente de trabalho se torne um fator de risco”, afirma.

A negligência pode gerar impactos que vão além das questões humanas. Estudos da Organização Internacional do Trabalho e do Fórum Econômico Mundial indicam que doenças relacionadas à saúde mental provocam perdas superiores a R$400 bilhões por ano em produtividade no Brasil.

Além das perdas econômicas, o descumprimento das normas de saúde e segurança pode expor as empresas a passivos trabalhistas, danos reputacionais e fiscalizações mais rigorosas.

Para o especialista, o avanço da legislação representa uma mudança definitiva na forma como as organizações devem lidar com o tema.

“Assim como as empresas criaram sistemas para evitar acidentes físicos, agora precisam desenvolver mecanismos para prevenir o adoecimento emocional. A saúde mental deixou de ser um tema de RH e passou a ser um fator estratégico para a sustentabilidade dos negócios”, conclui.

 

Sobre Rodrigo Araújo

Rodrigo Araújo é Técnico em Segurança do Trabalho, engenheiro ambiental. Com mais de 20 anos de experiência, atuou como gestor de saúde ocupacional e segurança do trabalho e atuou em grandes empresas como Lacta, Roche Farmacêutica e Ipiranga Química. Especialista em negócios B2B.

Há 13 anos, fundou a Global Work com um propósito claro: “Cuidar de forma efetiva e integrada do maior ativo de qualquer negócio, seus colaboradores, e, ao mesmo tempo, oferecer ao empresário um diagnóstico completo, capaz de gerar retornos tangíveis e intangíveis para cada valor investido, com ROI de 3 a 10 vezes”. Atualmente, é CEO da companhia.

 

Sobre a Global Work

A Global Work é especializada em saúde ocupacional, segurança do trabalho e programas de qualidade de vida corporativa. Com clínica própria na Avenida Paulista no coração de São Paulo e uma rede credenciada de mais de 3.000 unidades em todo o Brasil, já realizou mais de 1 milhão de exames médicos e complementares, com expectativa de ultrapassar mais de 100.000 vidas cuidadas em 2026, oferece soluções personalizadas que unem tecnologia, atendimento humanizado e conformidade legal. A missão da empresa é apoiar organizações na promoção do bem-estar dos colaboradores e na gestão integrada da saúde e segurança no trabalho.

 

Texto:  Carolina Lara  // Assessoria Lara

Imagem: divulgação

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