FETAEP repudia reajuste de 20,51% na tarifa de energia e alerta para impactos na agricultura familiar


Entidade critica aumento autorizado pela Aneel e cobra investimentos diante das recorrentes falhas no fornecimento de energia no meio rural
 
A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (FETAEP) repudia o reajuste médio de 20,51% nas tarifas de energia elétrica autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os consumidores atendidos pela Copel. Para a entidade, o aumento penaliza milhares de agricultores familiares justamente em um momento em que persistem problemas recorrentes de fornecimento e atendimento no meio rural.

reajuste ocorre em um contexto de frequentes reclamações sobre quedas de energia, oscilações na rede e demora no restabelecimento do serviço, situações que têm causado prejuízos recorrentes à agricultura paranaense. O aumento passa a valer a partir desta semana e representa mais um peso no orçamento das famílias e nos custos de produção da agricultura familiar.

A posição da FETAEP é respaldada pelas inúmeras reclamações recebidas dos Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de todas as regiões do estado. Nos últimos anos, produtores rurais vêm enfrentando quedas constantes de energia, oscilações na rede elétrica, demora no restabelecimento do serviço e dificuldades para obter atendimento da concessionária.

O presidente da FETAEP, Alexandre Leal dos Santos, afirma que a entidade é contrária ao reajuste e considera que a medida desconsidera a realidade enfrentada pelos agricultores familiares paranaenses. “Somos contrários a esse aumento, especialmente porque ele chega aos agricultores familiares em um momento marcado por recorrentes problemas no fornecimento de energia. Seguiremos ouvindo a base por meio dos nossos Sindicatos, acompanhando os impactos dessa medida e defendendo soluções que garantam mais segurança energética para o campo”, afirma.

Alexandre destaca ainda que a Federação continuará trabalhando na construção de políticas públicas voltadas à geração de energia renovável na agricultura familiar. “Precisamos ampliar os incentivos para que os agricultores possam produzir sua própria energia, mas isso não exime a concessionária da responsabilidade de oferecer um serviço de qualidade para quem vive e produz no campo.”

As preocupações da Federação refletem uma realidade frequentemente relatada pelos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de todas as regiões do Paraná. Segundo a secretária de Meio Ambiente da FETAEP, Tainá Guanini de Oliveira, os problemas afetam diretamente atividades que dependem de fornecimento contínuo de energia elétrica.

“Esse é um problema que atinge fortemente a agricultura familiar, especialmente as cadeias produtivas do leite, das aves e da piscicultura. Com a falta de energia há interrupção das ordenhas, comprometimento do resfriamento e armazenamento da produção, além dos prejuízos causados pela queima e danos em equipamentos”, destaca.

Segundo a dirigente, as reclamações se intensificaram nos últimos anos e não estão relacionadas apenas a eventos climáticos extremos. “Muitas vezes se atribui a falta de energia apenas a temporais ou vendavais, mas temos registrado interrupções frequentes mesmo em períodos de chuva moderada. É uma situação que vem gerando preocupação constante entre os agricultores familiares”, ressalta.

Os prejuízos registrados no Paraná demonstram a gravidade do problema. Nos últimos dois anos, produtores relataram perdas de milhares de litros de leite, mortalidade de aves e peixes, além de gastos extras com geradores para evitar danos ainda maiores. Há registros de propriedades que permaneceram dias sem energia elétrica e de agricultores que tiveram prejuízos de dezenas de milhares de reais em decorrência das interrupções no fornecimento.

A preocupação da FETAEP com a qualidade do fornecimento de energia também foi levada às audiências públicas realizadas na Assembleia Legislativa do Paraná, promovidas pelos deputados estaduais Arilson Chiorato e Luciana Rafagnin. Os encontros discutiram os impactos da precarização do serviço e os prejuízos causados aos consumidores urbanos e rurais.

Entre os casos relatados na audiência proposta pela deputada Luciana Rafagnin estão a morte de 40 mil frangos em Santa Helena, em dezembro de 2024; a perda de cerca de 60 toneladas de tilápia em Cascavel, em março de 2025; milhares de litros de leite descartados em diversas regiões do estado; além de produtores que precisaram recorrer a geradores próprios para evitar prejuízos ainda maiores.

Diante desse histórico, a FETAEP considera injustificável um reajuste dessa magnitude sem que a população perceba melhorias efetivas na qualidade do serviço prestado.

O questionamento da FETAEP ganha ainda mais relevância diante do desempenho financeiro da companhia. Conforme divulgado pelo jornal Valor Econômico, a Copel encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 2,66 bilhões, crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior. A receita operacional líquida alcançou R$ 26,11 bilhões no mesmo período.

Para a Federação, os resultados reforçam a necessidade de ampliar investimentos na infraestrutura elétrica e na qualidade dos serviços prestados aos consumidores, especialmente no meio rural, onde a energia elétrica é indispensável para a produção de alimentos e para a manutenção das atividades econômicas das propriedades.

A FETAEP reafirma sua posição contrária ao reajuste e seguirá acompanhando seus impactos sobre a agricultura familiar paranaense, defendendo tarifas justas, investimentos na infraestrutura elétrica e um serviço compatível com a importância estratégica que o meio rural exerce para a produção de alimentos e o desenvolvimento do Paraná.

Texto:  Renata Souza   //  Comunicação/ Assessoria de Imprensa FETAEP

Imagem: divulgação

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