NR-1 entra em vigor e o problema não é somente do RH

 

Dados do Check-up de Bem-Estar 2025 da Vidalink revelam que 63% dos profissionais vivem ansiedade, angústia ou desmotivação na maior parte dos dias e que 39% da Geração Z não faz nada pela própria saúde mental

A partir de 26 de maio, todas as empresas brasileiras com trabalhadores CLT passam a ser fiscalizadas pelo cumprimento da nova NR1. A norma não é sobre oferecer benefícios de bem-estar e sim sobre responsabilizar as organizações pela forma como organizam e conduzem o trabalho. Riscos como sobrecarga, metas abusivas, assédio e esgotamento mental passam a ser tratados como questões legais, sujeitas a autuações, multas e passivo trabalhista.

Os números da 3ª edição do Check-up de Bem-estar 2025 da Vidalink, levantamento anual com 11.600 colaboradores de 250 empresas de grande porte, ajudam a dimensionar o problema que a norma vem endereçar. Segundo a pesquisa, 63% dos profissionais relatam ansiedade, angústia ou desmotivação frequente. Entre a Geração Z, a que está ingressando agora no mercado, os indicadores são os mais críticos: 72% das mulheres e 51% dos homens dessa faixa etária relatam sentimentos negativos na maior parte dos dias. Trinta por cento declaram insatisfação com o próprio bem-estar, o maior índice entre todas as gerações. E 39% dos homens e 34% das mulheres dessa geração afirmam não fazer exercícios físicos, a prática mais preventiva para cuidar da saúde mental. Por outro lado, as mulheres fazem mais terapia (16%) do que os homens (8%).

“A Geração Z apresenta os piores indicadores tanto de saúde física quanto mental, algo que merece atenção para adaptar os programas de bem-estar às necessidades atuais desse grupo, bem como considerar as particularidades da intergeração no ambiente de trabalho”, afirma Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.

O dado sobre autocuidado mostra que ao mesmo tempo em que a Geração Z é a que mais fala abertamente sobre saúde mental, é também a que menos age sobre ela. “Quando um levantamento mostra crescimento consistente no consumo de medicamentos para ansiedade e depressão, ou quando uma geração inteira diz que não faz nada pela própria saúde mental, isso é um sinal claro de que o ambiente de trabalho precisa ser analisado com mais profundidade”, afirma.

O que a NR1 realmente exige

NR1 atualizada não se limita a solicitar programas de apoio psicológico ou ações pontuais de bem-estar. Ela exige que os riscos psicossociais sejam incorporados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) com o mesmo rigor metodológico aplicado a riscos físicos, químicos e biológicos. Isso significa: mapeamento estruturado dos fatores de risco, avaliação sistemática de sua frequência e impacto, plano de ação com medidas preventivas documentadas, acompanhamento contínuo e revisões periódicas com evidências. Organizações que não se adequarem podem enfrentar não apenas penalidades, mas também o avanço dos afastamentos por saúde mental, cenário que já afeta mais de meio milhão de trabalhadores no país, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

“A NR1 exige gestão de risco, não ações pontuais. Isso significa que as empresas precisam diagnosticar, acompanhar e atuar continuamente sobre os fatores que podem levar ao adoecimento”, afirma Gonzalez. “Não existe mais espaço para ações isoladas: a NR1 exige gestão contínua de risco. Sem isso, as empresas enfrentam não apenas passivos trabalhistas, mas perdas operacionais relevantes”.

O que muda estruturalmente é o locus de responsabilidade. Grande parte dos fatores psicossociais está diretamente ligada à forma como o trabalho é conduzido pelas lideranças. Comportamentos antes tolerados como estilo de gestão, como por exemplo pressão excessiva por resultados, microgestão, comunicação agressiva, passam a ter base normativa para gerar autuações. A ausência de gestão documentada facilitará, no Judiciário, a comprovação de culpa da empresa em casos de burnout, depressão e ansiedade ocupacional. Outro obstáculo comum é a falta de integração entre Recursos Humanos, Saúde e Segurança do Trabalho e Jurídico: a gestão de riscos psicossociais exige abordagem multidisciplinar, o que ainda não é realidade na maioria das organizações.

Cinco análises que as empresas devem fazer com a chegada da NR1

Mais do que uma exigência legal, a NR1 desafia as empresas a evoluírem da intenção para a prática. Na avaliação da Vidalink, a adequação passa por cinco frentes fundamentais.

  1. Realizar diagnósticos honestos do ambiente de trabalho real, não o que está nos documentos, mas o que acontece no dia a dia. Envolve pesquisas de clima anônimas, avaliar dados de atestados médicos e conversar com os setores. O foco é identificar onde estão as sobrecargas extremas, falhas de liderança, assédios ou falta de autonomia.

 

  1. Elaborar planos de ação claros e viáveis, o que pode incluir a revisão de metas, capacitação da gerência sobre comunicação não violenta e a adoção de pausas obrigatórias com responsáveis e prazos definidos.

 

  1. Implementar medidas estruturais e saber executá-las. Não adianta colocar uma cesta de frutas e uma mesa de pingue-pongue se a carga de trabalho continuar desumana. As medidas devem focar na organização do trabalho real: ajuste de rotinas, limites de e-mails fora do expediente, e em ferramentas de apoio emocional real, como terapia e suporte medicamentoso.

 

  1. Monitorar continuamente e revisar dados (Ciclo PDCA). O PGR precisa ser atualizado ao menos anualmente, ou sempre que o cenário mudar.  Acompanhar o absenteísmo, o turnover e a adesão aos benefícios para saber se o plano de ação está reduzindo o adoecimento.

5. Registrar todas as metodologias escolhidas, atas das reuniões e resultados das ações. Essa documentação protege a empresa juridicamente em caso de fiscalização e cria um histórico riquíssimo sobre a maturidade da cultura organizacional.

“A NR1 reforça que saúde mental não pode ser tratada como uma ação isolada ou reativa. Falar de riscos psicossociais é falar de um processo contínuo de escuta, cuidado e acompanhamento, que fortalece ambientes de trabalho mais saudáveis”, afirma Gonzalez. “O futuro do trabalho será construído por organizações que cuidam das pessoas. O bem-estar não é mais um diferencial, é um pilar estratégico de sustentabilidade e reputação”.

Guia completo e gratuito da Vidalink

O guia completo e gratuito “Saúde Mental agora é lei: prepare sua empresa para a atualização da NR1” com tudo o que é necessário para a adequação à NR1 em 2026 está disponível em:  https://conteudo.vidalink.com.br/guia-de-saude-mental-em-2026

Sobre o Check-up de Bem-Estar 2025

O Check-up de Bem-Estar é a maior pesquisa de bem-estar corporativo do Brasil, conduzida anualmente pela Vidalink. A 3ª edição analisou respostas de 11.600 colaboradores de 250 empresas de grande porte, com mais de 300 funcionários, de diversos setores. Os dados foram coletados entre janeiro e junho de 2025 pelo aplicativo da Vidalink. Perfil: 52% millennials, 24% Geração X, 17% Geração Z, 5% baby boomers e 2% indefinido; 51% homens e 49% mulheres.

Sobre a Vidalink

A Vidalink é a maior empresa de planos de bem-estar corporativo do Brasil e pioneira ao oferecer um plano de medicamentos para colaboradores, com cobertura nacional e 100% digital. Por meio de um aplicativo único, integra saúde física e mental, promovendo bem-estar 360º. Com mais de 25 anos de mercado, atende mais de 850 empresas e 4 milhões de usuários. Grandes marcas como Apple, iFood, Johnson & Johnson, Pirelli, Ipiranga, Tim, Vivo e Warner Bros já utilizam os benefícios da Vidalink. Mais informações em vidalink.com.br .

Texto: CoWork Comunicação

Imagem: divulgação

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