A descarbonização tornou-se um dos principais vetores de transformação da indústria de celulose e papel, ao reunir desafios ambientais, tecnológicos, regulatórios e de competitividade em um mesmo horizonte estratégico. Mais do que reduzir emissões, o tema envolve a reformulação de processos industriais, o desenvolvimento de soluções de base biológica e a construção de novos modelos de valor ao longo da cadeia produtiva. É nesse contexto que se insere a entrevista a seguir, na qual Kari Tuominen, Líder de Vendas e Tecnologia para Celulose & Papel da ANDRITZ, compartilha sua visão sobre como a empresa vem estruturando essa jornada e convertendo diretrizes de baixo carbono em iniciativas concretas. Do pioneirismo em fábricas de celulose livres de combustíveis fósseis à liderança em projetos-piloto de captura de carbono e inovações de base biológica, Kari reflete sobre como a ANDRITZ está transformando estratégia em ação.
“Estamos nesta estrada muito antes da palavra ‘descarbonização’ ser amplamente usada.”
Na ANDRITZ, descarbonização não é apenas uma prioridade estratégica — é uma transformação de longo prazo que temos desenvolvido de forma consistente há anos. A descarbonização vai muito além da responsabilidade ambiental. Trata-se de impulsionar inovação, manter competitividade, garantir conformidade e construir resiliência em um mercado que evolui rapidamente.
Tornar-se low‑carbon também é um desafio de toda a indústria, e nossa estratégia reflete isso. Baseamos nossa abordagem tanto na redução da nossa própria pegada de carbono, quanto na criação de produtos sustentáveis que apoiem nossos clientes em suas transições.
Estamos à frente desde o início, e acredito que ainda temos muitos desenvolvimentos interessantes pela frente. Desde que entrei na ANDRITZ há 17 anos para liderar o desenvolvimento de tecnologia de fábricas de celulose, testemunhei — e participei — de marcos notáveis. Cada um nos aproximou de um futuro mais sustentável e inovador:
- Tornar fábricas de celulose livres de combustíveis fósseis. Usamos gaseificação de casca ou biomassa para alimentar fornos de cal, gerando apenas CO2 biogênico.
- Transformar subprodutos em produtos. Estamos reduzindo emissões e expandindo mercados para lignina, biometanol e gás de síntese. A produção autônoma de ácido sulfúrico e hidróxido de sódio também faz parte dessa lista.
- Conduzir pilotos de captura de carbono. Estamos colaborando com nosso cliente do Metsä Group para testar tecnologias na fábrica de Rauma, na Finlândia.
- Usar alternativas à madeira. Assim como nosso trabalho com um cliente em Mannheim, Alemanha, onde desenvolvemos um processo que transforma palha em papel tissue, utilizando menos água e energia.
- Impulsionar inovação de base biológica. Incluindo soluções como o isolamento Ekolusion com emissões negativas de carbono, o processo SteamX para produzir pellets renováveis (black pellets) e tecnologias para reciclagem têxtil fibra‑a‑fibra.
É claro que ser pioneiro também significa trabalhar duro para caminhar junto ao mercado e moldar o futuro da indústria. Os clientes naturalmente agem com cautela. Com investimentos altos, muitas vezes é difícil encontrar quem esteja disposto a ser o primeiro a adotar uma tecnologia totalmente nova.
O desafio é ampliado por práticas atrasadas ou em constante mudança — são as regulamentações que realmente impulsionam o mercado. E com produtos de origem fóssil ainda mais baratos, a lucratividade segue como uma preocupação central.
Além disso, a inovação não acontece da noite para o dia. Acertar leva tempo, envolve interações que podem levar uma década ou mais para atingir a economia de escala. Felizmente, temos a persistência de longo prazo e a força financeira para apoiar nossas grandes ideias.
Adotando novas tecnologias e alianças em nossa jornada de descarbonização
Um de nossos grandes objetivos é encontrar novas maneiras de aumentar o valor da madeira — o que, por si só, já é uma ação de descarbonização. Já nos conectamos com mais de 70 empresas no programa BioCircleToZero, financiado pela Business Finland, para buscar parcerias no desenvolvimento de novos produtos e processos que dobrem o valor obtido da madeira sem derrubar mais árvores. Nossos clientes demonstram grande interesse pelos nossos planos.
Também ampliaremos o progresso já alcançado, explorando novos caminhos tal como o potencial de combinar captura de carbono de fábricas de celulose com hidrogênio verde para criar metanol renovável.
Isso não é apenas estratégia no papel. Com persistência e inovação, já estamos tornando a descarbonização uma realidade.
Nossos clientes nos veem como um parceiro confiável, com conhecimento e capacidade para entregar. Devemos nos orgulhar disso — e estar animados com o que está por vir.
Texto: Ligia Gabrielli / ANDRITZ
Imagem: divulgação
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