Pesquisa da consultoria Cyrnel analisa os papéis que integram o Ibovespa
“O grau de risco mostra quanto mais elevado é o risco do setor ou ação em relação ao Ibovespa, que por definição tem risco igual a um”, explica o analista Marcos Jorge, da Cyrnel. No relatório da consultoria divulgado neste mês, o setor de papel e celulose foi considerado mais de duas vezes mais arriscado do que o Ibovespa. “Levamos em conta a volatilidade, a variação do preço da ação”, diz Jorge. A Aracruz, que tinha grau de risco de 1,8 passou para 2,07.
“O setor sofreu bastante com a crise e com as operações de derivativos”, lembra o analista da Spinelli, Jayme Alves. O analista avalia, porém, que com a fusão de Aracruz e VCP, em setembro do ano passado, houve uma consolidação das empresas. “A volatilidade realmente foi intensa nos últimos 12 meses, porque houve uma queda brusca do preço. O nível de endividamento da Aracruz ainda é alto, mas diminuiu ao longo dos meses.” Alves calcula que a dívida líquida da empresa seja sete vezes o Ebitda. “Para uma empresa com grau de investimento, o recomendado é até duas vezes.”
Setores com risco menor
O setor de construção, lembra Jorge, desde o ano passado lidera a lista de risco. “Houve uma mudança setorial, mas não no caso de construção. Apesar de ter diminuído o grau de risco (em 0,13 ponto porcentual), o segmento continua a liderar a lista setorial”, diz. Dentro do Ibovespa, além das ações da VCP, três outros papéis são considerados de risco alto, todos de construtoras: Gafisa ON (2,38), Rossi Residencial ON (2,32) e Cyrela ON (2,28). “As ações das construtoras foram pegas em cheio pela crise, na parte operacional e nas ações em Bolsa”, afirma Jorge, da Cyrnel. Em junho de 2008 em comparação ao final de dezembro do ano anterior, quando a Bovespa subiu apenas 1,8%, as ações das três construtoras caíram 16,1%, 46,7% e 8,4%, respectivamente.
Na outra ponta, dos setores que mais diminuíram o risco, estão alguns segmentos considerados defensivos (alimentação e fumo, telecomunicações e energia), além de empresas de tecnologia. “As ações dessas empresas mais defensivas não caíram na crise e agora, que o mercado subiu rapidamente, elas não subiram tanto. A variação do preço foi menor na crise”, diz Alves.
Há doze meses, os setores de alimentação e fumo, telecomunicações e energia tinham, respectivamente grau de risco de 1,95, 1,71 e 1,66. Atualmente, o indicador destes segmentos caiu para 1,70, 1,46 e 1,41.
“No caso da empresas de tecnologia, houve um crescimento do setor ”, explica o analista da Cyrnel. Mesmo durante os piores momentos da crise, o segmento de telefonia de banda larga aumentou as vendas. A consultoria cita, como exemplo, o desempenho da Net, que enfrentou bem a crise econômica. No final de agosto de 2008, as ações da companhia , com risco de 2,05, estavam no grupo das empresas com risco médio, que reúne os papéis com grau de risco entre 1,75 e 2,20. Passados 12 meses, no último relatório da Cyrnel, o grau de risco da Net caiu para 1,72, colocando a companhia entre as menos arriscadas.
Em doze meses, também houve mudança na quantidade de empresas consideradas mais arriscadas, segundo a consultoria. Eram agosto do ano passado, eram sete: Rossi Residencial ON (2,53), Cyrela ON (2,43), Gafisa ON (2,40), Cyrela Commercial Properties ON (2,37), Cosan ON (2,33), JBS ON (2,29) e Duratex ON (2,26). No último relatório, permaneceram, no grupo, apenas as três primeiras construtoras e ingressaram as ações da VCP (2,80).