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Materias Técnicas


Silvicultura
Unidade 5 – SISTEMAS AGROFLORESTAIS
(23/02/2009)

SISTEMAS AGROFLORESTAIS
Referem-se aos sistemas de uso da terra nos quais árvores ou arbustos
são cultivados em associação com culturas agrícolas, pastagem ou animais,
onde há interações ecológicas e econômicas entre as árvores e os outros
componentes. A Embrapa Florestas define “Sistemas Agroflorestais” dessa forma: “um sistema de manejo sustentado da terra que aumenta o seu rendimento, combinando a produção de plantas florestais com cultivos agrícolas e/ou animais, simultânea ou consecutivamente, de forma deliberada, na mesma unidade de terreno, envolvendo práticas de manejo em consonância com a população local”.

PRÁTICAS E SISTEMAS AGROFLORESTAIS
Existem várias maneiras de se organizar os sistemas agroflorestais em
propriedades rurais, os quais são:
Associação de árvores e cultivos agrícolas
􀂾 Árvores dispersas de forma irregular – é praticado em pequenas
propriedades rurais que utilizam o sistema de derrubada e queima
em suas atividades agrícolas. Consiste na manutenção de
espécies florestais de valor econômico que se regeneram na área
utilizada. O plantio das espécies agrícolas é efetuado entre as
florestas, com o auxílio de plantadeiras manuais.
􀂾 Árvores intercaladas – é uma modificação do sistema anterior. As
árvores são dispostas de forma regular e em número maior, uma
vez que, deliberadamente, a espécie, o espaçamento e as técnicas
de poda e desbaste são indicados. Pode ser temporário ou
permanente.
􀂾 Árvores para sombra inicial e permanente – alguns cultivos
requerem um certo nível de sombra no início de seu crescimento.
Nesse caso, prioriza-se o plantio de espécies florestais pioneiras,
por serem espécies de crescimento rápido, com ciclo de vida curta,
como a bracatinga. Algumas espécies agrícolas necessitam de
sombra permanente, por isso, pode-se usar espécies
sombreadoras como: ingá, louro, eucalipto, eritrina, louro, eucalipto,
gliricidia, casuarina, cipreste, grevílea, guapuruvu e canafístula.
Nesse caso o espaçamento deve ser mais amplo, com uma
densidade de 125 a 400 plantas/ha.
􀂾 Árvores em cultivos seqüenciais – o objetivo é a restauração do
solo e a produção de lenha e postes. As espécies leguminosas são
as mais indicadas para estes sistemas. As seguintes espécies têm
sido utilizadas em algumas ocasiões: Gliricidia sepium, Leucaena
leucocephala, L. diversifolia e Guazuma ulmifolia, associadas ou
não a algumas árvores de valor madeireiro. É conveniente o uso
de espaçamentos mais densos como: 1 m x 2 m ou 2 m x 2 m,
embora possam ser usados com espaçamentos maiores,
dependendo da situação.
􀂾 Plantios em linhas – consiste no plantio de espécies florestais,
distanciadas de, no mínimo, 10 m umas das outras, e de plantas
espaçadas de 2 m a 3 m nas linhas. Entre as linhas, plantam-se
espécies agrícolas anuais ou perenes, dependendo do produtor.
Pode-se utilizar tanto espécies leguminosas (visando à fixação de
nitrogênio e a proteção contra erosão), como outras espécies
(proteção contra a erosão e produção de madeira).
􀂾 Árvores com cultivo em aléias – é mais comumente conhecida
como “alley cropping”, é uma variação do plantio em linha.
Consiste em misturar árvores de pequeno porte ou arbustos,
podados freqüentemente. O principal objetivo é a produção de
mulch, proveniente das podas periódicas que podem variar de
duas a quatro por ano, dependendo da região. Normalmente são
usadas espécies leguminosas fixadoras de nitrogênio.
􀂾 Árvores como tutores vivos – algumas culturas agrícolas, como
tomate, feijão-trepador, inhame, baunilha e pimenta-do-reino
necessitam de tutores individuais e outros de base para
espaldeiras. É necessário escolher uma espécie que, além de
poder ser plantada na forma de estaca, permita poda, seja fixadora
de nitrogênio e tenha sistema radicular compatível com o da
cultura que a ela se fixará. Gliricidia sepium, Leucaena
leucocephala e Caesalpinia velutina.
􀂾 Associação de culturas agrícolas de ciclo curto para diminuição
dos custos de implantação do povoamento florestal – é uma prática
que visa possibilitar a recuperação de florestas, combinando a
produção de árvores e de cultivos agrícolas nos primeiros anos de
estabelecimento em plantios comunitários. No sistema Taungya,
deve-se utilizar espécies produtoras de madeira para serraria
(pinus, eucalipto, grevílea, etc.). Devem ser plantadas em
espaçamentos abertos (no mínimo 3 m entre linhas e 2 m entre
plantas). O eucalipto pode ser associado ao milho (e outras
culturas agrícolas), desde que não se exagere na densidade da
cultura agrícola .
Associação de culturas agrícolas com espécies florestais destinadas à
produção de produtos não lenhosos
􀂾 No estabelecimento de sistemas agroflorestais de erva-mate com
culturas agrícolas, deve-se dar preferência às culturas agrícolas,
deve-se dar preferência às culturas do feijão e da soja, por serem
leguminosas e por serem de pouca altura, não interferindo na
abertura da copa da erva-mate.
􀂾 Como a cultura do trigo é uma opção de inverno comum na Região
Sul, é importante a utilização do sistema agroflorestal erva-mate
com trigo e soja ou feijão
􀂾 O desenvolvimento da erva-mate consorciada precisa ser
monitorado em médio prazo, em comparação com cultivos solteiros
e nas mesmas condições de solo e clima, para que possa se
estudar sua sustentabilidade.
Sistemas de árvores para proteção
􀂾 Cercas vivas – é uma prática muito utilizada nos trópicos,
principalmente em regiões de agricultura mais pobre. Algumas
espécies usadas como cerca vivas são: Mimosa caesalpiniifolia,
Peireskia aculeata e Euphorbia gymnoclada. A escolha da espécie
deve ser baseada em características como: tolerância à poda e
presença de espinhos para dificultar a entrada ou saída de animais
ou pessoas.
􀂾 Quebra-ventos – são estreitas faixas de árvores, arbustos e/ou
gramíneas plantados para proteger campos de produção, casas,
canais e outras áreas do vento e de rajadas de areias. O quebravento
deve ter uma certa permeabilidade ao vento, pois a falta
dessa, provoca turbulência fortes que causam danos ao cultivo.
Nas Tabelas 1, 2 e 3 é possível visualizar as espécies florestais
aptas para utilização como quebra-vento em regiões semi-áridas,
subúmidas e úmidas, respectivamente.
TABELA 1: Espécies florestais aptas para utilização em quebra-ventos para
regiões semi-áridas.
Tipos e formas de uso
Cortinas de uma fileira Proteção de cortinas naturais de três fileiras Fileiras centrais ou enriquecimento de cortinas naturais Azadiractha indica Azadiractha indica Anadenanthera colubrina Bixa orellana Gliricidia sepium Myracrodruon
urundeuva Casuarina cunninghamiana Grevílea robusta Cordia alliodora
Casuarina equisetifolia Guazuma ulmifolia Eucalyptus camaldulensis
Gliricidia sepiu Leucaena leucocephala
Eucalyptus tereticornis
Guazuma ulmifolia Senna spectabilis Guazuma ulmifolia
Leucaena leucocephala Senna siamea Melia azedarach
Mangifera indica Tipuana tipu Tipuana tipu
Melia azedarach
Senna siamea
Senna spectabilis
Tipuana tipu
Precipitação média anual < 1.000 mm.
111
TABELA 2 – Espécies florestais aptas para utilização em quebra-ventos para
regiões subúmidas
Tipos e formas de uso
Cortinas de uma fileira Fileiras laterais de
cortinas naturais ou de
três fileiras
Fileiras centrais ou
enriquecimento de
cortinas naturais
Annacardium occidentale Azadirachta indica Anadenanthera colubrina
Azadiractha indica Bixa orellana Myracrodruon urundeuva
Bixa orellana Calliandra calothyrsus Calophyllum brasiliense
Calliandra calothyrsus Gliricidia sepium Cariniana estrellensis
Colubrina glandulosa var.
lutzii
Gmelina arbórea Cedrela fissilis
Erythrina poeppigiana Grevílea robusta Copaifera langsdorffii
Gliricidia sepium Guazuma ulmifolia Cordia alliodora
Gmelina arborea Inga spp. Cordia trichotoma
Grevillea robusta Tipuana tipu Eucalyptus
camaldulensis
Guazuma ulmifolia Leucaena leucocephala Eucalyptus grandis
Inga spp. Mangifera indica Genipa americana
Leucaena leucocephala Salix humboldtiana Guazuma ulmifolia
Mangifera indica Senna espectabilis Hura crepitans
Melia azedarach Senna siamea Melia azedarach
Senna spectabilis Tipuana tipu Schizolobium
amazonicum
Senna siamea Swietenia macrophylla
Salix humboldtiana Tabebuia serratifolia
Tipuana tipu Tectona grandis
Terminalia amazônica
Terminalia ivorensis
Tipuana tipu
Precipitação media annual antre 1.000 e 1.500 mm.

TABELA 3 – Espécies florestais aptas para utilização em quebra-ventos para
regiões úmidas
Cortinas de uma fileira Fileiras laterais de
cortinas naturais ou de
três fileiras
Fileiras centrais ou
enriquecimento de
cortinas naturais
Acacia mangium Acacia mangium Acacia mangium
Anacardium occidentale Bixa orellana Anadenanthera colubrina
Bixa orellana Calliandra calothyrsus Myracrodruon urundeuva
Casuarina equisetifolia Gliricidia sepium Cedrela fissilis
Colubrina glandulosa Gmelina arbórea Ceiba pentandra
Erythrina fusca Guazuma ulmifolia Copaifera lagsdorffii
Erythrina poeppigiana Inga spp. Cordia alliodora
Gliricidia sepium Leucaena leucocephala Eucalyptus
camaldulensis
Gmelina arbórea Mangifera indica Eucalyptus grandis
Guazuma ulmifolia Salix humboldtiana Genipa americana
Inga spp. Senna siamea Guazuma ulmifolia
Leucaena leucocephala Hura crepitans
Mangifera indica Hymenaea courbaril
Salix humboldtiana Jacaranda copaia
Senna siamea Schizolobium
amazonicum
Swietenia macrophylla
Tabebuia serratifoli
Tectona grandis
Terminalia amazônica
Terminalia ivorensis
Precipitação anual media > 1.500 mm.
􀂾 Barreiras vivas – muito usada em conservação do solo, podem ser
combinadas com outras práticas de conservação. Podem também
ser usadas para recuperação ou estabilização de solos em
terrenos muito inclinados ou para proteção de fontes de água.
Normalmente são associadas a plantios de gramíneas. As
espécies mais utilizadas são: Leucaena leucocephala, Gliricidia
sepium, Casuarina equisetifolia e fruteiras, como tamarindo, maçã
e manga.
Hortos caseiros ou pomares domésticos
􀂾 São práticas agroflorestais antigas e se constituem de uma mistura
de espécies para os mais variados objetivos, tais como
alimentação humana e animal, uso medicinal, lenha e outros.
Árvores intercaladas com pastagens
􀂾 Sistema silvipastoril - é a combinação intencional de árvores,
pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e
manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a
produtividade por unidade de área. Nesses sistemas, ocorrem
interações em todos os sentidos e em diferentes magnitudes.
Os sistemas silvipastoris apresentam grande potencial de
benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a
sociedade. São sistemas multifuncionais, onde existe a
possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos
recursos naturais evitando sua degradação, além de recuperar sua
capacidade produtiva. Por exemplo, a criação de animais com
árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras
de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a
conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes
minerais, capturar e fixar carbono, diversificar (Figuras 24, 25 e 26).

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Fonte: 50


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